Eu e meu desprazer. Um lado deprimente e inexperiente; atemporal. Guilherme Heinzelmann Benta
A última manhã
Tchaub
Treze Nove Avos
Cara Desatenção
seu, pra sempre
Eu sou apaixonado por você! Nunca deixei de ser. Te admirei desde sempre, pelo talento, pelo desejo tão simples e significativo; "quero ser a melhor". Pelo modo como se comportava, sempre tão séria e compromissada com o trabalho, ao mesmo tempo em que, junto de outros parceiros, se mostrava brincalhona e divertida!
Quando essa admiração virou paixão, não havia mais o que fazer. Eu estava totalmente embriagado de amor... Seu beijo era tão doce! Do tipo que faz qualquer um esquecer amores passados. É verdade que demorei para me assentar... tratava-se de uma mudança de vida, construir uma relação e transformar dois em um. minha nossa, o que foi que eu fiz?
Falhei diversas vezes... não fui verdadeiro, omiti coisas, te coloquei em segundo plano, quando você deveria estar até mesmo na minha frente. Eu te amo, pombas! Tudo por conta do esquecimento, do descompromisso, da minha cabeça idiota... Eu sou muito burro! E aí você foi embora. E eu prometi ir atrás de você, mas não fui. E aí você foi embora e eu não fui atrás de você. Mas que droga! Por quê é que eu não fui atrás de você? Eu não te amo? Estou com medo de me jogar? Mas você também teve medo, estou certo disso. E você encarou! Com a cara e a coragem... E eu não fui... sou um covarde... mereço sofrer, por tudo o que te fiz passar... por não estar junto de você, agora... I'm sorry.
Faz cinco dias que eu pedi para que parasse; o meu sofrimento, a minha angústia perante sua ausência e indiferença. Sou inseguro, percebe-se. Preciso de atenção, preciso saber que você está lá.. Terei esquecido sua posição? Uma garota cheia de potencial, com uma carga imensa nas costas, com olhares de soberba e inveja ao redor. Sentindo a pressão e acreditando que você TEM que vencer... é difícil pensar o contrário. Sei como é não querer desapontar ninguém. Sei como é difícil chegar ao topo e mais ainda manter-se nele. Fui egoísta em querer atenção? Ou será que eu queria atenção demais? É provável... Mas que loucura eu fiz. Abdicar do teu amor, mesmo que ínfimo (aparentemente), para me encontrar no vazio. Para chorar no dia, para chorar de noite, soluçar em todos os lugares e ter que me esconder no banheiro. Por que é que eu me torturo tanto? Eu não aguentava mais, no entanto. Eu quero morar contigo, quero casar contigo. Seria tão melhor... diferentemente bom e melhor. É muito egoísmo meu? Você cresceu tanto.. mudou tanto... Está tão adulta, tão... fascinante! Sabe o que quer. E se sabe o que quer, certamente deve saber o que NÃO quer. Talvez você esteja melhor sem mim (18/05)?
O que foi que eu senti? Senti o que eu previa; ao invés de esperar por uma resposta, por uma resposta que eu sabia que não viria. Mas isso é melhor? Apenas me dá o direito de não ficar bravo com a demora. Coisa que eu já não tinha antes, mas que o fazia, assim mesmo. Como eu sou tolo... Muita coisa precisa ser revista. Meu conceito deturpado do que é xxx de verdade. Sobre comprometimento e futuro. Bom, eu agora me comprometi a me tornar um homem decente e justo. (...)
Tenho honra ainda? Maldito orgulho... eu preciso me concentrar muito. Não esquecer o que eu quero. Te fazer feliz, e se possível, se você também quiser, ser feliz com você.
Maldita insegurança. Tenho medo de que você desista de mim (como eu acabei de fazer? Af, Oliver, seu idiota), de passar o tempo necessário e você se apaixonar por outro, de descobrir que não sou o cara certo pra você. Se bem que... se isso for verdade, não há o que eu possa fazer. PELO MENOS A LIBERDADE eu devia lhe dar... en realité, não é questão de te dar, desculpe-me. Eu NÃO posso lhe tirá-la. E eu tenho que aceitar isso. Mesmo que sua decisão, posteriormente, não me inclua no seu futuro. Você já fez tanto por mim... droga! Porque não pude apoiá-la nesse momento também? Grrr! Como sou idiota! E agora já está decidido; pensas um dia voltar, mas agora não dá. Desculpa. Preciso parar de choramingar. Preciso tratar disso como (...) Ser adulto. Maduro. Aceitar o que o destino me guardar. Me desculpa por tudo.. pelo desabafo, pelas tristezas, pelo desespero, pelas lágrimas... sinto muito...
por você, mil vezes
Outra história
-Senti saudades de você, hoje! É uma pena que só possamos nos encontrar aqui, nos dias de semana -lamentava Oliver.
-Ah, pelo menos isso, né... E você vai me dar carona hoje, não? A gente pode ficar curtindo lá em casa, uma carinha...
Oliver passara então asorrir ainda mais. "Opa, aí sim, hein.." e deu uma risada. "Te espero no meu carro ali no final da aula, então?" Perguntou, e assim ficou combinado.
A aula, no entanto, parecia que não acabava nunca! O irritante assunto de estatística não ajudava o fato de que Oliver
Depois de uma semana
Parte II (Alternativa)
-...
-E eu acho que tu só gostas de mim porque eu não quero nada contigo.
-Isso fará sentido, em algum ponto?
-Tu és bonito e pode ter um monte de garotas bonitas. As que te querem; desdenhas, e quanto as que não te querem, corres atrás! Simples assim. Já mesmo chegaste a admitir isso, certa vez. É assim que funcionas!
-Isso não é verdade! Pode até ser que eu já tenha funcionado dessa forma, mas já faz um bocado de tempo. Peço que recorde-se de Mayara; por mais que eu gostasse dela e estar perto dela me fizesse bem, não me sentia atraído o suficientemente para continuar com. E também quanto à Débora. Não foram escolhas minhas! Elas que optaram por deixar-me.
-Eu não sei porque tu gostas de mim, sério! Eu sou tão o OPOSTO de todas elas! Sabe... eu já pensei em tentar ficar contigo. Mas não consigo. Pra mim já deu. INFELIZMENTE! Porque eu sei que tu é disposto a ficar comigo e que me tratarias bem. Me tratas bem. Enche-me de mimos e eu gosto disso! Mas não consigo... simplesmente não consigo. Sou eu.
-Sim, o problema nunca sou EU, sempre a outra pessoa, claro... Déjà vu. E eu sou tão fucking extremista que agora só consigo pensar em entregar tua blusa e sumir da tua vida. Tenho protelado a entrega dela por aguardar um momento em que estivessemos a sós, sabe... um momento só pra nós dois...
-Faça o que for melhor pra ti, se tu achas melhor te afastares, te afaste.
-E desde quando eu penso em mim?
-Pois deverias.
-Desde quando eu conseguiria afastar-me?
-Deverias...
(...)
-Certo, tentarei. Ahm... Tentar o quê, mesmo? Haha, perco-me em vertigens! Ah, sim. Tirar você da cabeça DAQUELE jeito.
-Por favor.
-Se tu pedires, estarei fazendo isso por ti, e não é bem essa a ideia, certo? Devo tentar por MIM!
-Exato, por ti.
Adeus, Oliver
Não ficou surpreso ao perceber que continuavam com as mesmas expressões de sempre. Não havia vida naquele lugar, tampouco amor naqueles corações. Tudo tão cinza... Não o suficiente para tirar o sorriso bobo de menino apaixonado que se plantou na sua cara desde que sentira o perfume, logicamente. Du Riechst so gut, concluiu.
Estou tão feliz! Culpo-me por ter fugido de tamanha felicidade por tanto tempo. Tantas pendengas bobas, mas que no momento pareciam fazer sentido, dadas as circustancias. E por conhecer sua história, apaixonou-se ainda mais. Nada como declarações verdadeiras para dar um up na relação.
E no meu início aquela inocência ingênua admirava já ao extremo toda aquela propagação raivosa de idéias que o afogavam de novas considerações e possibilidades. Num momento nada feliz para nosso pequeno (mas rígido) aventureiro, ser encontrado por outra revoltada que, por sua vez, tinha sim a habilidade de expor seus sentimentos, enquanto ele apenas lamentava e sofria sozinho, possibilitou facilmente uma fuga do abismo. A fixação inicial era mesmo o intelecto, mas o que existiria por trás daquelas máscaras em que se escondiam? De que ele tinha medo e por que fugia tanto?
Maldito o momento em que se encontraram. Eram sem sombra de dúvida feitos um para o outro. Sorrisos alegres e abraços confortantes. A conversa fluía de uma maneira toda especial e sentiam-se à vontade para usufruir completamente de uma sinceridade impressionante (quem sabe até excessiva) com seus gostos e opiniões. Mas o momento... Maldito seja este, ao desfavorecer DUAS vezes o relacionamento desses dois. Sorte nossa que persistiram. Omitirei certas passagens por ora apenas para não quebrar o clima, mas eis que enfim, encontram-se! E quão extasiados ficaram ao perceber que eram o someone like you do outro! Foi uma sucessão de afagos, carinhos e gracejos sem precedentes! Haviam finalmente libertado-se para amar.
Atordoado demais
Quase não me acredito que finalmente uma chance apareceu! Eu estive durante tanto tempo assim: incapacitado de escrever... Sei lá se foi minha abstinência de leitura, ou então o meu longo estágio sóbrio, tanto faz... Feliz me fizeram os deuses a me permitirem voltar a escrever!
Talvez eu não tenha exata certeza do que estou escrevendo aqui no papel, mas essa é a minha vontade no momento! Suplico-vos neste instante:
“Olá, me chamo Oliver e tenho 17 anos esse ano. Não sei se isso realmente importa para vocês, no entanto, aqui para vocês está: Estou, no momento, apaixonado por certa garota. É grande verdade que nem próxima de mim vive, feliz seria eu, caso pudesse me controlar.
Todas as minhas oferendas passadas ainda são válidas, can’t you see? Basta apenas que as aplique à si. Porque deverias fazer isso? A VERDADE ESTÁ NA SUA FRENTE! COMO PODE VOCÊ NÃO NOTAR QUANDO ISSO TUDO FAZ PARTE DE VOCÊ TAMBÉM! Quem sabe ninguém está preparado pra isso? Acredito que todos pensem, tenham aquele ‘medo’ de assumir realmente o que queria explorar.
Denunciado
Ele vem até mim: "Preciso ter uma conversa séria contigo. Já volto" diz ele enquanto caminha em direção à sua sala. Puta que pariu! Ansiedade máxima! Odeio quando fazem isso comigo. No entanto, por mais que eu me esforçasse, não conseguia imaginar o que estava por vir. "Não fiz nada de errado", conclui. Quando o discurso dele começa, bate forte. Fiquei feliz por não ter chorado ao explicar todas as minhas infelicidades e agonias, ele não pareceu surpreso. Soou compreensivo e deu-me sugestões construtivas. Descobri que estou à procura de alguém como eu. Que procuro alguém do meu nível e não encontro, são todos muito fracos. Não merecedores da minha companhia. Aliás... até tive alguém assim... tive alguém como eu... só que... não era natural! Não foi como se eu tivesse te encontrado e percebido que você é assim, perfeita para mim. O fato é que você se adaptou para que eu ficasse feliz. Penso que não é assim que deveria ser. Descobri que sou infeliz com minhas amizades, utilizadas como subterfúgio para sobreviver ao dia. Talvez não sejam tão inúteis assim. É impossível viver só sorrindo.
A felicidade nada mais é do que pequenos momentos em que excluo-me do mundo externo para aproveitar a sutileza de minúncias às vezes despercebidas. Conversa terminada, senti-me como depois de uma sessão ao psicólogo. Fiquei triste, impediram-me de ficar triste! Preciso de álcool.
Ingra, te dou, sim. (2m)
-Hein?
-Já passou o ano. O ano em que eu não pude te ver.
-Nossa, faz tanto tempo assim? Nem percebi.
-Consegui! Como prometido, fiquei um ano sem te procurar, sem te consultar, sem te abraçar, beijar, acariciar... Puxa vida, um ano... é tempo pra caralho.
-Haha, se você diz...
-Não fiquei contando os dias, mas sempre que eu via a folhinha com o número 23, uma dor forte no peito aparecia, ao mesmo tempo que uma pequena felicidade em saber que a contagem regressiva ainda existia. Doze meses... Como tem passado?
-Hehe, bem... ótima, na verdade!
-Hm...
-Noivei, Oliver, to bem feliz. Ah, estou de emprego novo! Bem legal.
-Mhmn... fico feliz! Você merece ser feliz!
-^^
-^^
-...
-E agora?
-Agora to aqui teclando, nada demais, ouvindo umas musiquinhas...
-Não, to dizendo entre nós, como ficamos? (esse remédio jamais vai curar)
-Nada mudou, Oliver. Eu tenho lido você, continua o mesmo babaca mulherengo, sem respeito pelos outros. Espera mesmo que eu largue o futuro perfeito que tenho pela frente com meu noivo e dê as costas par ao mundo, juntando-me com você? Sendo que uma vez que você obtenha o que deseja - momentaneamente - deverá, como de praxe, abandonar-me em busca de alguém "melhor"? Prefiro ficar sozinha, vê se pega teu rumo.
-...
-...
-Você... não pode estar falando sério... tudo o que sacrifiquei, todos os meus esforços... em vão? Não pode ser assim.
-Adeus, morra bem.
Uma Semana
Quatro semanas antes, em um sábado sem nuvens no céu, como de praxe, Oliver saiu com dois de seus melhores amigos; Júlia e Jonatan. Conhecidos da universidade, eram irmãos por parte de mãe. Ele promotor, em licença temporária por motivos que não nos interessam no momento e ela, universitária de Medicina Veterinária. Sempre saiam juntos, compartilhavam o mesmo gosto musical e acabaram por tornando-se muito íntimos. Decidiram que naquela noite iriam à casa de Cristina. Apenas para jogar conversa fora, gravar alguns vídeos e tomar cerveja. Cristina era uma excelente anfitriã e sabia fazer com que todos se sentissem à vontade. Outras pessoas, até então desconhecidas para Oliver e seus amigos, também estavam lá. E foi nesse dia que ela apareceu. De longos cabelos negros e ondulados. Sua estatura mediana baixa fazia-a a menor dos presentes – não que isso importasse alguma coisa. Era de origem italiana, mas quando ela timidamente sorria, seus olhos banhados em rímel e lápis muito se assemelhavam aos de uma oriental. E se tinha algo que deixava Oliver desnorteado era o olhar carismático de garotas de olhos puxados. Não seria exagero dizer que ele rapidamente se encantou pela moça, já que além dos olhos apaixonantes, Laura – seu nome – era caucasiana e possuía frágeis sardinhas nas maçãs do rosto, uma preciosidade!
Laura, até então comprometida, também acabou por se mostrar interessada em Oliver, mas nada aconteceu. As poucas palavras que trocaram naquela noite não foram além de cordialidades. A surpresa ficou por conta de que dias depois ela telefona para Oliver – o modo como ela conseguiu descobrir seu número e contatá-lo é mistério até hoje – e convida-o para sair. “Não estou mais namorando”, explicava pelo telefone “e sei que você também quer sair comigo”. Mesmo achando a situação meio estranha, Oliver topou, e ao encontrá-la no local e hora marcada, fora recebida diretamente com um beijo e um abraço. Mal podia acreditar que sem esforço algum conseguira tocar os lábios da nipo-romana. Desconcertado, desequilibrou-se, mas apoiando-se em um balcão, conseguiu evitar que caísse na frente de todos e, principalmente, dela. Conversaram durante o almoço e não tardou para que se descobrissem como feitos um para o outro. Ambos com habilidades e feitos fascinantes em suas distintas áreas. Inclusive que cursaram línguas na mesma escola, anos atrás. Uma das habilidades compartilhadas era a de memorizar textos, portanto, conseguiram facilmente recitar os poemas um para o outro, ali mesmo.
“I had a big dream,
I dreamed with you,
In my dream we rode horses in the field…
Stopped on the barn
We were wet because it was raining and we kissed
We were in love
I woke up and saw that it was not true, only one part…
We really are in love
I have the same dream everyday and all the time.”
“I had a dream last night, I dreamed with you.
In my dream you were my sweet prince.
We were running in the field and kissed.
It was a sunny day and the sky was blue, no clouds.
We looked at the ocean, but then, you disappeared, just like everything else.
I woke up this morning and played our song.
I hid my tears.
You’re still in my lonely mind, and I call you all the time,
but now I know that you don’t exist, you’re my perfect dream.”
No oitavo dia que estavam juntos, dia 3 de maio, as coisas mudaram. Oliver retornara de uma viagem de apenas algumas horas e foi almoçar junto com Laura. Podia perceber facilmente que ela estava diferente. Não conseguia muito bem olhar nos olhos de Oliver e parecia trêmula e incomodada com alguma coisa. Na ida para o restaurante passaram por um parque no centro da cidade, onde madames passeavam com seus cães, pais entretinham os filhos e casais namoravam nos banquinhos. Naquela tarde podia-se inclusive ver um grupo de idosos se exercitarem e cantarolarem antigas canções.
“Eu”, começou Laura “tenho uma coisa bem chata pra fazer hoje”. Rapidamente pela mente de Oliver, pensamentos de possíveis transtornos que uma aluna de Medicina Veterinária poderia ter durante o seu curso, iam e vinham, mas o que viria a seguir ele nunca poderia ter imaginado. “Hoje”, continuou “eu vou conversar com o Pietro”.
-Pietro? Ele não é seu ex-namorado?
-Sabe Oli, ele me magoou muito no passado. Nossa relação sempre foi muito inconstante, na verdade. Ele não conseguia demonstrar seu amor por mim, mas eu sabia que ele me amava. Chorou muito quando nos separamos, uma vez. Fiquei sentida e voltamos. Tudo isso para que uma semana depois, ele resolvesse que não quer mais estar comigo. Dizia ser jovem demais para estar preso a uma relação como a nossa. Queria sair mais, viajar... E aparentemente eu o impedia de prosseguir com seu plano. Fiquei meio abalada, mas acontece, né. Eu é que não quero ser a causa da infelicidade dele. Até aí tudo bem, mas ele me ligou, enquanto você estava fora. Disse que queria voltar comigo. Eu ainda gosto muito dele, sabe... Contei que eu estava contigo e ele ficou muito bravo! Babaca... Como se ele não tivesse ficado com ninguém, mesmo. Disse que estaria disposto a deixar as bobagens de lado e voltaria comigo. Ficamos de conversar pessoalmente hoje de noite.
-Você ta realmente considerando isso, Lau?
-Ai Oli, você sabe que eu gosto muito de ti! Diverti-me muito nessa semana, foi tudo muito bom! Mas eu prefiro me encontrar com ele hoje e colocar tudo na mesa. Quero ver o que ele tem pra me dizer. E assim, é hoje a decisão final, ou tentamos novamente ou nunca mais! Não gosto de ficar nesse “chove-não-molha”. Eu não tinha certeza de que queria te contar isso agora, não sei se é melhor assim... Fale alguma coisa!
-Foi ótimo que você tenha me contado isso antes. Não posso nem imaginar como seria nossa conversa depois desse seu encontro de hoje, sem que eu estivesse ciente do que pode acontecer. Você não sabe como isso impactou aqui no meu peito. Estou muito desapontado comigo. Como pude me deixar apaixonar por alguém, sem ter a certeza de que ela me amava da mesma forma? Eu não quero ser chato, inconveniente, Laura. Não vou lhe dizer que você conseguiu me fazer sorrir novamente, me guiou para a luz, tendo me tirado do profundo estado de depressão emocional em que eu me encontrava. Você mesma agora me diz que há a possibilidade de tudo isso acabar, rápido assim. Não quero dizer que sofro já, antes mesmo de qualquer coisa ser decidida, apenas com a possibilidade. A agonia da espera por uma resposta que mesmo não participando do debate, estou fortemente incluso no resultado, me arde no peito já nesse exato momento. Tremo de desespero com a incerteza do amanhã. Hoje mesmo pode ser que não mais pense em mim antes de dormir. Que esteja com o outro. Que bobagem estou dizendo... Está mais do que claro que eu é que sou o outro. Eu que me intrometi na vida de vocês.
Sem ter muita certeza do por que, Oliver abandona a amada e dirige-se, em passos largos e apressados para casa. Mil pensamentos percorrem sua mente, em confusão. Todos os sons à sua volta começam a soar horrendamente mais estrondosos do que o normal. As vozes das pessoas conversando tranquilamente davam a Oliver a sensação de estar dentro de um sino gigante, badalando ao meio dia. As buzinas dos carros mais pareciam uma turbina de avião sobrevoando sua cabeça a menos de um metro de distância. Teve vontade de gritar, e assim o fez, caindo de joelhos, apoiando-se com as mãos na grama já úmida. Lágrimas começam a correr incessantemente, chamando a atenção de alguns andantes, mas ninguém parou para afagá-lo. A grande maioria apenas virava a cara, demonstrando desprezo. Soluçava como nunca antes soluçara, faltava-lhe ar para respirar e engasgava-se quando tentava falar, ou pronunciar algo. Nenhuma palavra podia ser discernida, mas grunhidos certamente se ouviam e era possível perceber sua intenção de dizer algo. Em vinte minutos esgotou suas forças e caiu desacordado.
Pássaros agora já não mais cantavam. A luz artificial era fraca, mas presente. Nenhuma lua podia ser vista no céu. No lugar de pessoas, grilos e sapos conversavam entre si, discutindo nada muito relevante, coisas pelas quais grilos e sapos costumam se importar. Em três horas o céu tornara-se escuro. O sol há muito já havia se posto, mas sem um substituto oficial. Em três horas ninguém tocou em Oliver.
Chegando em casa, deu por conta de que deveria estar na aula, mas não lembrava do porque ter faltado ao trabalho. “Eu não costumo beber durante o dia. E não me sinto com ressaca; não fiquei bêbado coisa nenhuma”, concluiu. “Vou ligar pra Laura, ela deve saber o que é que eu andei aprontando”. E foi aí que ele percebeu. Estava sozinho, e sua memória havia voltado. “Ok, Oliver”, tentava acalmar-se, “fique calmo. Tudo ao seu tempo. Não é só porque vocês não estão juntos agora que não poderão estar juntos no futuro. Mas o que será de nós depois de hoje? Mesmo que eu seja o escolhido, que você permaneça ao meu lado de forma brilhante, como foi essa última semana, voltaremos do jeito que éramos? Conseguirei eu te olhar do mesmo jeito? Beijar-te? Amar... te?” Remoendo-se na cama até quatro da manhã, novamente a exaustão o leva ao desmaio. Já não é mais forte o suficiente para agüentar.
A manhã fria e cinzenta chegava como sempre. “Não quero”, pensava ele, já acordado, “levantar. Não agora, não hoje”. Sabia o que lhe esperava. No hall de entrada de sua casa, deslizada por debaixo da porta, poucos minutos antes, havia uma carta de Laura. Ela havia escolhido o outro.